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Capítulo 3 - Entre Plantões e Confidências

Na sexta-feira à noite, no pequeno apartamento de Eliza, Rebeca servia duas taças de vinho enquanto observava a amiga distraída.

— Eliza Martins, você está olhando para esse celular há dez minutos esperando uma mensagem do "Doutor Perfeito" ou é impressão minha? — Rebeca brincou, jogando uma almofada nela.

— Ele não é perfeito, Beca. Ele é... exigente. E lindo. Mas principalmente exigente — Eliza riu, as bochechas corando.

— Sei. Exigente o suficiente para te levar para jantar comida italiana? No Saint Jude só se fala dele, sabia? Dizem que o Dr. Vance é um castelo de gelo, mas parece que você encontrou a chave da porta da frente.

—Eu não sei se eu achei a chave Beca, mas com certeza ele achou a minha — suspirou sentindo seu peito aquecer.

—Ruiva você se apaixonar muito rápido, só toma cuidado para não se machucar.

— Pode deixar Beca, mas tenho certeza que não irei.

​Do outro lado da cidade, em um loft minimalista com vista para o skyline, Gabriel tentava se concentrar em um artigo científico, mas falhava miseravelmente. Seu melhor amigo, Otávio, um advogado bem-sucedido e o oposto de Gabriel em termos de seriedade, estava jogando videogame na sala.

​— Cara, você está na mesma página faz meia hora — Otávio comentou, sem tirar os olhos da tela. — É a ruiva nova, não é? A Dra. Martins.

Gabriel suspirou, fechando o laptop.

— Ela é diferente, Otávio. Tem uma garra que eu não via há muito tempo. E aqueles olhos verdes... parecem que leem meus prontuários antes de eu falar.

— Finalmente! — Otávio largou o controle e sorriu. — O grande Gabriel Vance foi nocauteado por uma residente. Já era hora de você ter alguém que não seja um paciente para se preocupar.

O destino (ou uma ajudinha estratégica de Rebeca e Otávio) resolveu cruzar esses caminhos. No domingo, Eliza foi arrastada por Rebeca para um evento de carros clássicos — o hobby secreto de Gabriel.

Enquanto Eliza admirava um Mustang 68, ouviu uma voz familiar:

— Não sabia que medicina incluía apreciar motores de oito cilindros.

Ela se virou e viu Gabriel, mas não o médico. Ele usava jeans, uma camiseta preta que marcava seus ombros e óculos escuros. Ao lado dele, Otávio sorria maliciosamente.

— Gabriel? — Eliza sorriu, genuinamente surpresa. — Eu poderia dizer o mesmo sobre você. Achei que vivesse dentro de um centro cirúrgico.

Rebeca, percebendo a faísca no ar, logo se enturmou com Otávio, deixando os dois sozinhos entre os carros antigos.

— Às vezes — Gabriel disse, dando um passo para mais perto dela, — a gente precisa sair do hospital para perceber que o mundo tem cores muito mais vivas. Como o ruivo do seu cabelo sob esse sol, por exemplo.

— Obrigada, Gabriel — Eliza agradece, sentindo seu rosto corar, e o coração reagir, de forma descompassada, com o brilho intenso dos olhos de Gabriel, e um lindo sorriso caloroso, que a deixou boba por uns instantes, ao contemplar tamanha formosura que emanava daquele homem sem ao menos um único esforço.

Realmente esse homem tinha seu charme natural, e estava conseguindo rapidamente, conquistar o coração de Eliza.

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