Mundo ficciónIniciar sesiónUma noite, após um plantão particularmente exaustivo, Eliza estava na sala de descanso, tentando reanimar seu café frio, quando Gabriel entrou. O hospital estava mais calmo, a luz filtrada pelas persianas já revelava a escuridão da noite lá fora.
— Dra. Martins — ele começou, a voz um pouco mais suave que o habitual. — Você salvou aquele paciente com aneurisma hoje. Sua intuição rápida fez toda a diferença. Eliza sentiu um calor subir pelo pescoço. Elogios de Gabriel eram raros e preciosos. — Obrigada, Dr. Vance. Estava apenas aplicando o que aprendi. Ele se aproximou, apoiando-se na bancada à frente dela. Os olhos dele, geralmente tão focados, pousaram nos dela de uma forma diferente. — E onde você aprendeu a ter essa calma no meio do caos? Não é algo que se ensina em livros. Eliza deu de ombros, um pequeno sorriso. — Acho que é instinto. Ou talvez a adrenalina me impeça de pensar demais. Gabriel riu baixinho, um som que Eliza percebeu ser muito mais agradável do que ela imaginava. — Bem, seu instinto é impecável. Estou indo jantar agora. Quer se juntar a mim? É por conta do hospital, uma forma de agradecer a todos pelo turno extra. Eliza hesitou. Um jantar com o Dr. Vance? No fundo, era o que ela mais queria, mas a ideia parecia ao mesmo tempo excitante e aterrorizante. — Eu... eu aceito, Dr. Vance. Eles foram a um restaurante italiano charmoso, não muito longe do hospital. Longe do ambiente estéril e da hierarquia rígida, Gabriel era uma pessoa diferente. Ele falava sobre sua paixão por carros antigos, sobre a frustração de casos perdidos e a alegria de vidas salvas. Eliza, por sua vez, contou sobre seus sonhos de infância de ser médica, sobre a mãe que a inspirou e a dificuldade de conciliar a vida pessoal com as exigências da medicina. A cada sorriso, a cada troca de olhares, Eliza sentia a barreira profissional entre eles se desfazendo. Ela percebeu que a beleza de Gabriel não era apenas externa; era a inteligência brilhante, a dedicação fervorosa e uma vulnerabilidade sutil que ele raramente mostrava. Ele, por sua vez, parecia hipnotizado pela vivacidade dos olhos verdes de Eliza, pela paixão em suas palavras e pela forma como seus cabelos ruivos cintilavam sob a luz fraca do restaurante. No final da noite, enquanto Gabriel a deixava na porta de seu pequeno apartamento, o silêncio entre eles era carregado de uma nova expectativa. — Obrigado pelo jantar, Gabriel — Eliza disse, pela primeira vez usando seu primeiro nome. Ele sorriu, o mesmo meio sorriso que ela vira no corredor do hospital, mas agora com um calor que a fez arrepiar. — Agradeço a companhia, Eliza. Foi... diferente. Eles se entreolharam por um momento que pareceu eterno, e Eliza teve a certeza de que a vida no Saint Jude acabara de ficar muito mais interessante. A vida de Eliza não era feita apenas de corredores brancos. Fora do hospital, seu porto seguro era Rebeca, uma designer de interiores vibrante que a conhecia desde o jardim de infância.






