Ayres
Ninguém precisa saber. É o que repito desde que acordei com o corpo mais pesado do que a própria noite. O espelho me devolveu um rosto que eu não reconheço, olhos fundos, a pele marcada por uma exaustão que não confesso nem para o travesseiro. Abro a janela e respiro fundo. O ar entra, não resolve. Nada resolve.
Desço para o pátio de treino como faço todos os dias. Os guerreiros me esperam, atentos. O Beta Joran me analisa sem parecer indiscreto. Ele conhece meus ritmos. Sabe quando meu passo vacila, quando a respiração atrasa meio compasso.
— Vamos começar. — digo, pegando a arma de treino. Meu braço pesa mais do que deveria — Ciclo de resistência. Sem descanso.
Os homens se alinham. Oron, Kade, Yan. Três voltas no circuito, depois corpo a corpo. Dou o sinal. Eles partem, ligeiros, e eu junto, liderando como sempre. Só que nada é como sempre.
Na primeira subida, o ar raspa a garganta como se eu tivesse corrido horas. O tronco dói onde nada foi ferido. Na descida, o tornozelo a