O relógio digital no corredor marcava 22h17.
O hospital estava mais silencioso agora. Passos raros ecoavam ao longe. Portas fechando devagar. O cheiro de desinfetante parecia mais forte à noite.
No quarto, a luz estava apagada, restando apenas o abajur fraco perto da cama.
Fernanda estava acordada. Os olhos abertos, fixos no teto.
Ela tentava dormir há horas.
Mas toda vez que fechava os olhos, o passado vinha.
A casa.
Os corredores escuros.
O som da chave girando.
Os passos pesados se aproximan