Meu nome é Alexandre Farias.Mas isso só existe em documento.Aqui, no Complexo da Penha, eu sou o Imperador.Tenho 27 anos e moro no ponto mais alto do morro — não por vaidade, mas por estratégia. De cima, eu vejo tudo. E se tem uma coisa que eu aprendi cedo é que quem manda precisa enxergar antes dos outros.Minha casa não parece com as outras daqui.Nunca quis que parecesse.Portão eletrônico reforçado, câmeras em todos os ângulos, vidro blindado. Por dentro, silêncio. Piso frio, sofá grande, televisão ocupando uma parede inteira. Cozinha planejada, geladeira sempre cheia. Ar-condicionado ligado até quando o dia não pede. Conforto não é luxo pra mim — é necessidade.Cresci dividindo colchão, ouvindo tiro como quem ouve relógio. Dormi com fome, acordei com medo. Quando subi, prometi a mim mesmo que nunca mais viveria no improviso. Quem manda no caos precisa de ordem quando fecha a porta.Acordo cedo. Sempre cedo.O quarto é amplo, cama grande, lençóis limpos. Cortina pesada bloquean
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