TARYN
TARYN
Estou de pé perto da cama quando ele entra.
Sinto antes de ouvir.
O ar muda.
Ele para a poucos passos de mim e me observa dos pés à cabeça, sem pressa, sem disfarce. O vestido de dormir escolhido por Dina, cai leve demais sobre o corpo. O tecido fino revela curvas que não costumo expor, marca a cintura, deixa o colo à mostra de um jeito que me faz querer puxá-lo para cima.
Espero o comentário.
A acusação silenciosa de sempre.
A suspeita.
O deboche contido.
Mas ele não diz nada disso.
Os olhos dele escurecem um tom, aquecidos, atentos, e então ele apenas fala:
— Você precisa descansar.
A frase não carrega julgamento. Só constatação.
Meu corpo parece ouvir antes da mente.
Sento na beira da cama com cuidado, o tornozelo ainda sensível. Ele se aproxima, ajeita o cobertor sobre minhas pernas, como se fosse o gesto mais natural do mundo. Como se tivesse feito isso antes. Talvez tenha. Em outra vida. Em outra versão de nós.
— Dina virá ajudá-la pela manhã — diz. — Vou pedir algo