Ele mudou depois que foi descoberto. Não de imediato, não de forma explosiva. A mudança veio sorrateira, vestida de preocupação, de cuidado excessivo, de um interesse que nunca teve antes. Era como se, ao perceber que poderia me perder, meu marido tivesse decidido me vigiar.
— Onde você vai?
— Com quem?
— Que horas volta?
As perguntas surgiam disfarçadas de zelo, mas carregavam um tom novo, áspero. Eu respondia com frases curtas, sem confrontar. Ainda estava aprendendo a reconhecer aquele homem