Passei a noite inteira acordada, mesmo quando o sono parecia me visitar por alguns minutos. Era um descanso falso, desses que não recuperam nada. Cada vez que eu fechava os olhos, sentia o corpo inquieto, como se algo em mim estivesse em movimento enquanto eu insistia em ficar parada.Ele dormia ao meu lado, tranquilo, respirando fundo, ocupando o espaço de quem não percebe que já não divide a mesma frequência. Observei suas costas viradas para mim, a linha do ombro, o braço relaxado sobre o colchão. Havia carinho ali, sim. Mas o carinho tinha se tornado distante demais para ser abrigo.Levantei antes do despertador, como vinha fazendo nos últimos dias. O silêncio da casa parecia diferente naquela hora — menos opressor, mais atento. Preparei café sem pressa, sentindo o cheiro se espalhar pela cozinha. Pensei em quantas vezes eu havia feito exatamente aquilo, no mesmo horário, do mesmo jeito, e ainda assim agora tudo parecia novo demais para ser ignorado.Sentei-me à mesa com a xícara
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