A casa estava silenciosa demais.
Não o silêncio comum de fim de tarde — aquele que acolhe —, mas um silêncio espesso, pesado, como se cada móvel estivesse à espreita.
Ela entrou e deixou a bolsa sobre a mesa, sem fazer barulho. Tirou os sapatos devagar, como se temesse acordar algo que não deveria ser despertado. A luz da sala estava acesa, mas Marcos não estava ali.
Primeiro, veio o cheiro.
Café requentado. Cigarro — algo raro para ele. E um leve aroma de perfume que não era o dela.
Ela parou