04 - Atração

Não consegui entender quais motivos a levaram a tentar uma vaga de assistente.

Na entrevista individual, recebi a informação de que já havia sido aprovada.

Não acreditei na rapidez de todo o processo.

— Você já pode seguir para o décimo quinto andar.

— Lá você vai pegar a lista de documentos necessários para a contratação e os dados para o exame admissional. {Entrevistadora}

Agradeci e me dirigi aos elevadores.

Dessa vez, prestei atenção nas placas acima deles, que indicavam claramente qual era o elevador comum e qual era o privativo.

A atendente me lançou um olhar carregado de desprezo, o que fez um arrepio subir pela minha espinha.

Ainda bem que não vou trabalhar com ela.

Ri sozinha dentro do elevador enquanto subia para o andar indicado.

Assim que resolvi tudo, desci para ir embora.

Quando o elevador se abriu para eu sair, dei de cara com aquele "homem lindo" de antes.

Ele estava acompanhado de outro rapaz, que eu mal consegui reparar — meus olhos estavam presos demais àqueles olhos azuis hipnotizantes.

Aproveitei o momento para me desculpar por ter entrado no elevador errado.

Afinal, eu iria trabalhar ali e não queria passar uma impressão negativa.

— Senhor, com licença.

— Gostaria de me desculpar por ter entrado no elevador errado.

— Isso não vai acontecer novamente. {Samantha}

— Não se preocupe.

— Vi que seu crachá era de visitante e imaginei que não tivesse reparado na distinção entre os elevadores.

— Então... você vai trabalhar aqui? {Homem lindo}

Ele perguntou, com certo interesse.

— Sim, eu fui aprovada.

— Começarei na próxima semana, no setor financeiro. {Samantha}

Respondi de forma nervosa.

— Bom, então seja bem-vinda ao Grupo Atxer. {Homem lindo}

Ele falou com tanta gentileza, abrindo um sorriso contido, porém perfeito — cativante e sedutor —, que fez meu coração pular uma batida e me deixou completamente desconcertada.

Retribui o sorriso enquanto agradecia.

Ele seguiu em direção à saída do edifício e, alguns segundos depois, percebi que eu ainda estava parada, olhando para o lugar onde ele havia desaparecido.

Aquela sensação de atração era nova para mim.

Aos vinte e cinco anos, eu só havia sentido algo assim uma única vez na vida — pelo meu primeiro e único namorado, meu marido Richard, agora falecido.

Um suspiro profundo escapou de mim de forma involuntária, trazendo junto uma pontada de tristeza.

Depois de providenciar os documentos e realizar o exame admissional, liguei para a Vanessa.

Eu precisava de ajuda para comprar algumas roupas novas.

— Vanessa, amiga, tudo bem?

— Estou precisando da sua ajuda.

— Como você sabe, consegui a vaga no Grupo Atxer e preciso estar muito bem vestida na segunda-feira.

— Você me ajuda a escolher alguns looks para o meu novo cargo? {Samantha}

— Claro, amiga.

— Vou sair um pouco mais cedo.

— Podemos nos encontrar no shopping às dezessete horas, pode ser? {Vanessa}

— Está perfeito, nos encontramos lá. {Samantha}

Naquele dia, entre uma prova de roupa e outra, acabei comentando sobre o “homem lindo dos olhos azuis”.

Isso deixou a Vanessa completamente empolgada e cheia de imaginação.

— Não me diga que você já achou um boy gato na nova empresa? {Vanessa}

— O quê? Vanessa, pelo amor de Deus…

— Eu só comentei que ele era bonito, nada demais. {Samantha}

Respondi totalmente envergonhada pelo comentário.

— Nada demais?

— Isso tem tudo demais.

— Te conheço desde o colégio e só vi você falar assim do Richard. {Vanessa}

— Não sei…

— Já falei da beleza de vários atores e músicos, não seja exagerada. {Samantha}

Respondi fingindo estar ofendida e tentando disfarçar, enquanto puxava na memória algum outro homem que eu pudesse ter elogiado depois do Richard.

— Artistas não contam, Sam.

— Mas não fique envergonhada, você não está fazendo nada de errado.

— Não tem problema nenhum achar um homem bonito. {Vanessa}

Enquanto ela falava, abaixei a cabeça.

Meu rosto estava quente de tanta vergonha.

Não sabia explicar, mas havia uma sensação estranha, como se eu estivesse fazendo algo errado.

— Olha pra mim. {Vanessa}

Ela disse enquanto me encarava, com aqueles olhos sempre atentos até às coisas que eu mesma não percebia.

— Você precisa entender que o Richard já se foi há pouco mais de três anos.

— Você é livre e desimpedida.

— Pode e deve se interessar por outro homem a qualquer momento.

— Sem peso, sem pressa, sem culpa.

— Você merece isso. {Vanessa}

— Ai, amiga, eu não estou interessada em ninguém.

— A beleza dele só chamou minha atenção.

— Não é como se eu fosse namorar com ele algum dia, né? {Samantha}

Fui rápida em falar e logo mudei de assunto.

Não queria ficar falando sobre ele.

Afinal, eu nem sabia se o encontraria novamente.

Em um edifício com cinquenta andares, as chances de cruzar com a mesma pessoa com frequência eram mínimas.

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