Mundo de ficçãoIniciar sessãoNão consegui entender quais motivos a levaram a tentar uma vaga de assistente.
Na entrevista individual, recebi a informação de que já havia sido aprovada. Não acreditei na rapidez de todo o processo. — Você já pode seguir para o décimo quinto andar. — Lá você vai pegar a lista de documentos necessários para a contratação e os dados para o exame admissional. {Entrevistadora} Agradeci e me dirigi aos elevadores. Dessa vez, prestei atenção nas placas acima deles, que indicavam claramente qual era o elevador comum e qual era o privativo. A atendente me lançou um olhar carregado de desprezo, o que fez um arrepio subir pela minha espinha. Ainda bem que não vou trabalhar com ela. Ri sozinha dentro do elevador enquanto subia para o andar indicado. Assim que resolvi tudo, desci para ir embora. Quando o elevador se abriu para eu sair, dei de cara com aquele "homem lindo" de antes. Ele estava acompanhado de outro rapaz, que eu mal consegui reparar — meus olhos estavam presos demais àqueles olhos azuis hipnotizantes. Aproveitei o momento para me desculpar por ter entrado no elevador errado. Afinal, eu iria trabalhar ali e não queria passar uma impressão negativa. — Senhor, com licença. — Gostaria de me desculpar por ter entrado no elevador errado. — Isso não vai acontecer novamente. {Samantha} — Não se preocupe. — Vi que seu crachá era de visitante e imaginei que não tivesse reparado na distinção entre os elevadores. — Então... você vai trabalhar aqui? {Homem lindo} Ele perguntou, com certo interesse. — Sim, eu fui aprovada. — Começarei na próxima semana, no setor financeiro. {Samantha} Respondi de forma nervosa. — Bom, então seja bem-vinda ao Grupo Atxer. {Homem lindo} Ele falou com tanta gentileza, abrindo um sorriso contido, porém perfeito — cativante e sedutor —, que fez meu coração pular uma batida e me deixou completamente desconcertada. Retribui o sorriso enquanto agradecia. Ele seguiu em direção à saída do edifício e, alguns segundos depois, percebi que eu ainda estava parada, olhando para o lugar onde ele havia desaparecido. Aquela sensação de atração era nova para mim. Aos vinte e cinco anos, eu só havia sentido algo assim uma única vez na vida — pelo meu primeiro e único namorado, meu marido Richard, agora falecido. Um suspiro profundo escapou de mim de forma involuntária, trazendo junto uma pontada de tristeza. Depois de providenciar os documentos e realizar o exame admissional, liguei para a Vanessa. Eu precisava de ajuda para comprar algumas roupas novas. — Vanessa, amiga, tudo bem? — Estou precisando da sua ajuda. — Como você sabe, consegui a vaga no Grupo Atxer e preciso estar muito bem vestida na segunda-feira. — Você me ajuda a escolher alguns looks para o meu novo cargo? {Samantha} — Claro, amiga. — Vou sair um pouco mais cedo. — Podemos nos encontrar no shopping às dezessete horas, pode ser? {Vanessa} — Está perfeito, nos encontramos lá. {Samantha} Naquele dia, entre uma prova de roupa e outra, acabei comentando sobre o “homem lindo dos olhos azuis”. Isso deixou a Vanessa completamente empolgada e cheia de imaginação. — Não me diga que você já achou um boy gato na nova empresa? {Vanessa} — O quê? Vanessa, pelo amor de Deus… — Eu só comentei que ele era bonito, nada demais. {Samantha} Respondi totalmente envergonhada pelo comentário. — Nada demais? — Isso tem tudo demais. — Te conheço desde o colégio e só vi você falar assim do Richard. {Vanessa} — Não sei… — Já falei da beleza de vários atores e músicos, não seja exagerada. {Samantha} Respondi fingindo estar ofendida e tentando disfarçar, enquanto puxava na memória algum outro homem que eu pudesse ter elogiado depois do Richard. — Artistas não contam, Sam. — Mas não fique envergonhada, você não está fazendo nada de errado. — Não tem problema nenhum achar um homem bonito. {Vanessa} Enquanto ela falava, abaixei a cabeça. Meu rosto estava quente de tanta vergonha. Não sabia explicar, mas havia uma sensação estranha, como se eu estivesse fazendo algo errado. — Olha pra mim. {Vanessa} Ela disse enquanto me encarava, com aqueles olhos sempre atentos até às coisas que eu mesma não percebia. — Você precisa entender que o Richard já se foi há pouco mais de três anos. — Você é livre e desimpedida. — Pode e deve se interessar por outro homem a qualquer momento. — Sem peso, sem pressa, sem culpa. — Você merece isso. {Vanessa} — Ai, amiga, eu não estou interessada em ninguém. — A beleza dele só chamou minha atenção. — Não é como se eu fosse namorar com ele algum dia, né? {Samantha} Fui rápida em falar e logo mudei de assunto. Não queria ficar falando sobre ele. Afinal, eu nem sabia se o encontraria novamente. Em um edifício com cinquenta andares, as chances de cruzar com a mesma pessoa com frequência eram mínimas.






