Mundo ficciónIniciar sesiónJá fazem algumas semanas desde que Richard morreu, e eu ainda não consegui voltar para minha casa.
Depois da cremação, vim direto para a casa dos meus pais e não saí mais do meu antigo quarto. Simplesmente não consigo acreditar. Fico imaginando que ele só está em uma viagem e que, a qualquer momento, vai voltar… E então eu poderei retornar para casa. — Sam, posso entrar? {Lucas} Meu irmão bateu na porta pela terceira vez naquele dia. Eu não podia ignorá-lo, porque sabia que, se fizesse isso, ele jogaria a porta abaixo. — O que foi? Pode entrar. {Samantha} — Não dá mais pra você ficar assim. — Sei que está passando pelo luto, mas não vou deixar você entrar em depressão aqui dentro desse quarto, dia e noite sozinha. — Você não come direito, chora o tempo todo… — Você não pode continuar assim. — Vamos sair dessa casa agora mesmo. Vai tomar um banho. {Lucas} — De jeito nenhum. — Eu não quero ver ninguém e não quero sair de casa. — Estou bem aqui, me deixa em paz. {Sam} — Se você não levantar por bem, vai ser por mal. — Eu não tenho problema nenhum em te carregar por aí. {Lucas} — Você não pode fazer isso. {Sam} — Quer pagar pra ver? — Anda, vamos. Você precisa viver. — Richard não iria querer te ver assim nunca. {Lucas} — Falar dele é golpe baixo. {Sam} As lágrimas voltaram com toda a força assim que ouvi o nome dele. Meu irmão imediatamente me abraçou e pediu desculpas. — Não quero que você chore. — Mas você precisa reagir. — Precisa viver um dia de cada vez, mas tem que dar o primeiro passo. — Se continuar assim, vai acabar ficando doente. {Lucas} Eu sabia que Richard não iria gostar de me ver daquele jeito. Ele era uma pessoa alegre, cheia de piadas, sempre rindo e me fazendo rir. Era impossível ficar triste perto dele. Foi uma das coisas que me fez me apaixonar. Eu sempre fui muito séria e centrada para a minha idade, e ele trouxe alegria para a minha vida. Eu precisava me levantar. Precisava fazer algo para seguir em frente, ou nunca mais conseguiria me levantar novamente. Precisava agradecer ao meu irmão. Eu realmente precisava desse empurrão Naquele dia, consegui sair com meu irmão. Tomamos sorvete, andamos à toa e, depois de jantarmos, voltamos para casa. Meus pais ficaram felizes em me ver fora do quarto, e eu também. Apesar da tristeza, eu sabia que não poderia continuar cedendo a ela. Precisava aprender a lidar com a dor enquanto seguia em frente. Mais algumas semanas se passaram e, finalmente, consegui voltar para minha casa. Minha amiga Vanessa se dispôs a ir morar comigo temporariamente, até que eu me sentisse bem naquela casa sem o Richard por perto. Não tive muito sucesso com isso. Eu não queria dormir na nossa cama. Não suportava sentir o cheiro dele e não tê-lo ali. No final das contas, acabei indo morar com minha amiga e vendi minha casa. Durante dois anos e meio, vivi altos e baixos. Sempre me lembrando de tudo o que havia vivido com Richard. Sentia que precisava de mudança, que minha vida precisava de algo a mais. Resolvi ir morar em outro estado, mudar completamente de área. Achei que isso me faria bem. Chegando ao litoral, consegui uma entrevista em uma imobiliária. Como minha formação é em Administração, uma área ampla, consegui trabalhar como auxiliar administrativo. Fiquei lá cerca de seis meses. Não dei conta da maresia, da cidade super parada e da falta de amigos. Acabei ficando mais solitária do que antes. Foi então que recebi uma ligação da Vanessa. Ela me contou que havia sido promovida e iria assumir a gerência em outro estado. Queria me levar como assistente dela até que eu conseguisse algo na minha área. Ela estava indo para São Paulo. E eu aceitei na mesma hora. — Amiga, que bom te ver. — Tenho certeza de que em São Paulo sua vida vai melhorar. {Vanessa} — Só de ter você por perto já me sinto bem melhor. — Tem certeza de que não vou te atrapalhar? — E seu namorado? {Samantha} — Não tenho mais namorado. — Ele não queria que eu aceitasse a promoção. — Eu sei que namoro à distância não dá certo, mas ele nem pensou em vir comigo. — Ele trabalha com TI, pode fazer isso de onde quiser, mas enfim… — Já foi. Não vou sofrer por ele. {Vanessa}






