Mundo de ficçãoIniciar sessãoLúcia, por ser loira e de pele branca, ficou completamente vermelha e envergonhada. Senti-me culpada na mesma hora. Ela olhou para mim e depois para Davi antes de responder.
— Humm… não, eu… é… não sou comprometida, não tenho namorado. {Lúcia} Davi olhou entre ela e Sérgio e falou com genuína surpresa e um leve toque de alívio. — Sempre pensei que você e o Sérgio fossem um casal. {Davi} — O quê? Não, que isso? Sempre fomos somente amigos. {Lúcia} — Nossa, cara, de onde você tirou isso? É verdade que nos conhecemos há bastante tempo, mas nunca rolou nada. Ela se tornou uma irmã pra mim desde que entrou. {Sérgio} O constrangimento era palpável, mas a expressão de alegria no rosto de Davi não passou despercebida. Ele sorriu enquanto se levantava apressado para ir embora. — Bom, pessoal, eu preciso ir, meu horário já deu. Foi bom conversar com vocês hoje, realmente foi muito bom. {Davi} As últimas palavras foram ditas enquanto ele olhava para mim e depois diretamente para Lúcia. O que aquilo significava? A conversa se limitou a mim e a Lúcia. O que ele queria dizer com aquilo? Afastei o pensamento e, enquanto Davi ia embora e Bia e Lúcia surtavam com o que ele havia dito, eu me levantei já me despedindo. — Pessoal, eu também já vou. Faltam dez minutos para o fim do intervalo. {Samantha} — Eu te acompanho. {Sérgio} — Vamos todos. Depois te ligo, Lu, para conversarmos melhor sobre tudo o que acabou de acontecer. {Bia} — Tá bom, vamos. {Lúcia} De volta à minha mesa, o trabalho seguiu normalmente até que, após algumas horas, Ana me chamou até sua sala. — Samantha, preciso que você suba até o 49º andar e entregue esses documentos ao CEO para serem assinados. {Ana} Meu coração deu um salto e um frio percorreu minha barriga. Eu já estava na empresa havia três semanas e não o tinha visto novamente desde aquele encontro no elevador, no dia da auditoria, no meu segundo dia ali. De alguma forma, fiquei muito nervosa enquanto caminhava até o elevador comum. Para minha surpresa, não era possível ir direto até o andar dele. Era necessária uma liberação. Voltei até a coordenadora, que me emprestou o crachá para autorizar o acesso. Qualquer pessoa que precisasse ir acima do 40º andar precisava de autorização específica no crachá. Eu achava que isso se aplicava apenas ao elevador privativo, mas definitivamente a segurança ali era de outro nível. Não era qualquer um que podia circular livremente. Quando cheguei ao 49º andar, fiquei de boca aberta. O hall de entrada era amplo, com sofás e uma mesa grande ao centro. Havia dois corredores, um de cada lado da mesa. Ao me apresentar, a secretária fez uma ligação e, em seguida, me direcionou ao corredor menor. Bati na porta e fui recebida por Davi. — Srta. Samantha, por favor, entre. {Davi} — Sr. Davi, boa tarde. Respondi no mesmo tom formal enquanto ele fez um sinal com a mão para que eu entrasse. E então, lá estava ele. O Sr. André Atxer, sentado atrás de uma mesa enorme. Atrás dele, uma parede de vidro permitia que o olhar se perdesse no horizonte da cidade. Ele estava lindo em um terno preto, com o cabelo levemente despenteado, como se tivesse passado a mão nele várias vezes ao longo do dia. Meu Deus, como ele ficava lindo todo de preto. Seus olhos azuis ganhavam um leve sombreado, ficando mais escuros do que o tom cristalino de piscina que normalmente tinham. O ambiente tinha um perfume marcante e único, que me deixou momentaneamente desnorteada. Eu não havia reparado nisso antes… como aquele cheiro era bom. Percebi que estava encarando quando Davi pigarreou, chamando minha atenção. — Humm… desculpe… é… eu trouxe esses documentos para que o senhor possa assinar. Falei de forma desajeitada, tentando me recompor. — Boa tarde, Samantha. Como tem passado? {André} Ele me cumprimentou com um leve sorriso que parecia debochar do meu constrangimento ou do tempo que fiquei ali apenas admirando-o. Isso fez meu rosto ficar vermelho como um tomate. — Oh, me desculpe, Sr. Atxer. Boa tarde. Estou muito bem, e o senhor? Que vergonha. Como eu não me lembrei de cumprimentá-lo antes? Estava tão distraída com aquela beleza hipnotizante que esqueci completamente da educação básica. — Vou bem, obrigado. {André} Ele estendeu a mão e só então percebi que ainda não havia entregado os documentos. — Por favor, sente-se enquanto leio. Aceita algo para beber? {André} — Humm… não, obrigada. Estou bem. Sentei-me em frente à mesa e não sabia o que fazer com as mãos. Acabei entrelaçando os dedos enquanto ele lia os documentos. Demorou um pouco mais do que eu esperava, mas ele assinou tudo e me devolveu. — Pronto, aqui está. Muito obrigado. {André} — Eu é que agradeço. Tenha um bom fim de expediente. Ao me dirigir à porta, Davi a abriu e eu saí apressada. Meu coração batia tão rápido que, por alguns segundos, parecia que eu não conseguia senti-lo. Já no elevador, um suspiro profundo escapou de mim. O que era aquela sensação? Fiquei me perguntando isso até retornar e devolver os documentos.






