07 - Na sala do CEO

Lúcia, por ser loira e de pele branca, ficou completamente vermelha e envergonhada. Senti-me culpada na mesma hora. Ela olhou para mim e depois para Davi antes de responder.

— Humm… não, eu… é… não sou comprometida, não tenho namorado. {Lúcia}

Davi olhou entre ela e Sérgio e falou com genuína surpresa e um leve toque de alívio.

— Sempre pensei que você e o Sérgio fossem um casal. {Davi}

— O quê? Não, que isso? Sempre fomos somente amigos. {Lúcia}

— Nossa, cara, de onde você tirou isso? É verdade que nos conhecemos há bastante tempo, mas nunca rolou nada. Ela se tornou uma irmã pra mim desde que entrou. {Sérgio}

O constrangimento era palpável, mas a expressão de alegria no rosto de Davi não passou despercebida. Ele sorriu enquanto se levantava apressado para ir embora.

— Bom, pessoal, eu preciso ir, meu horário já deu. Foi bom conversar com vocês hoje, realmente foi muito bom. {Davi}

As últimas palavras foram ditas enquanto ele olhava para mim e depois diretamente para Lúcia.

O que aquilo significava?

A conversa se limitou a mim e a Lúcia. O que ele queria dizer com aquilo? Afastei o pensamento e, enquanto Davi ia embora e Bia e Lúcia surtavam com o que ele havia dito, eu me levantei já me despedindo.

— Pessoal, eu também já vou. Faltam dez minutos para o fim do intervalo. {Samantha}

— Eu te acompanho. {Sérgio}

— Vamos todos. Depois te ligo, Lu, para conversarmos melhor sobre tudo o que acabou de acontecer. {Bia}

— Tá bom, vamos. {Lúcia}

De volta à minha mesa, o trabalho seguiu normalmente até que, após algumas horas, Ana me chamou até sua sala.

— Samantha, preciso que você suba até o 49º andar e entregue esses documentos ao CEO para serem assinados. {Ana}

Meu coração deu um salto e um frio percorreu minha barriga. Eu já estava na empresa havia três semanas e não o tinha visto novamente desde aquele encontro no elevador, no dia da auditoria, no meu segundo dia ali. De alguma forma, fiquei muito nervosa enquanto caminhava até o elevador comum.

Para minha surpresa, não era possível ir direto até o andar dele. Era necessária uma liberação. Voltei até a coordenadora, que me emprestou o crachá para autorizar o acesso. Qualquer pessoa que precisasse ir acima do 40º andar precisava de autorização específica no crachá. Eu achava que isso se aplicava apenas ao elevador privativo, mas definitivamente a segurança ali era de outro nível. Não era qualquer um que podia circular livremente.

Quando cheguei ao 49º andar, fiquei de boca aberta. O hall de entrada era amplo, com sofás e uma mesa grande ao centro. Havia dois corredores, um de cada lado da mesa. Ao me apresentar, a secretária fez uma ligação e, em seguida, me direcionou ao corredor menor. Bati na porta e fui recebida por Davi.

— Srta. Samantha, por favor, entre. {Davi}

— Sr. Davi, boa tarde.

Respondi no mesmo tom formal enquanto ele fez um sinal com a mão para que eu entrasse.

E então, lá estava ele. O Sr. André Atxer, sentado atrás de uma mesa enorme. Atrás dele, uma parede de vidro permitia que o olhar se perdesse no horizonte da cidade.

Ele estava lindo em um terno preto, com o cabelo levemente despenteado, como se tivesse passado a mão nele várias vezes ao longo do dia. Meu Deus, como ele ficava lindo todo de preto. Seus olhos azuis ganhavam um leve sombreado, ficando mais escuros do que o tom cristalino de piscina que normalmente tinham.

O ambiente tinha um perfume marcante e único, que me deixou momentaneamente desnorteada. Eu não havia reparado nisso antes… como aquele cheiro era bom.

Percebi que estava encarando quando Davi pigarreou, chamando minha atenção.

— Humm… desculpe… é… eu trouxe esses documentos para que o senhor possa assinar.

Falei de forma desajeitada, tentando me recompor.

— Boa tarde, Samantha. Como tem passado? {André}

Ele me cumprimentou com um leve sorriso que parecia debochar do meu constrangimento ou do tempo que fiquei ali apenas admirando-o. Isso fez meu rosto ficar vermelho como um tomate.

— Oh, me desculpe, Sr. Atxer. Boa tarde. Estou muito bem, e o senhor?

Que vergonha. Como eu não me lembrei de cumprimentá-lo antes? Estava tão distraída com aquela beleza hipnotizante que esqueci completamente da educação básica.

— Vou bem, obrigado. {André}

Ele estendeu a mão e só então percebi que ainda não havia entregado os documentos.

— Por favor, sente-se enquanto leio. Aceita algo para beber? {André}

— Humm… não, obrigada. Estou bem.

Sentei-me em frente à mesa e não sabia o que fazer com as mãos. Acabei entrelaçando os dedos enquanto ele lia os documentos. Demorou um pouco mais do que eu esperava, mas ele assinou tudo e me devolveu.

— Pronto, aqui está. Muito obrigado. {André}

— Eu é que agradeço. Tenha um bom fim de expediente.

Ao me dirigir à porta, Davi a abriu e eu saí apressada. Meu coração batia tão rápido que, por alguns segundos, parecia que eu não conseguia senti-lo. Já no elevador, um suspiro profundo escapou de mim.

O que era aquela sensação?

Fiquei me perguntando isso até retornar e devolver os documentos.

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