Mundo de ficçãoIniciar sessãoNo final do expediente, enquanto ia para casa de metrô, abri o aplicativo de livros e recebi uma sugestão para ler “Meu CEO Encantador”. Não tive como não me lembrar do Sr. André Atxer e, ali mesmo, iniciei a leitura.
Logo nas primeiras páginas, o livro apresentava o CEO como um homem lindo, alto, forte, imponente, rico e poderoso — geralmente arrogante e prepotente. Na minha opinião, apenas os primeiros adjetivos serviam para definir o Sr. André, porque, pelo pouco que vi, ele não tinha nada de arrogante ou prepotente. Mas, para ser justa, tive pouca ou quase nenhuma interação com ele para realmente conhecê-lo. "Samantha, pare de pensar nele", disse a mim mesma em silêncio, fechando os olhos com força e sacudindo a cabeça, como se isso pudesse expulsar os pensamentos. Estava achando uma péssima ideia ler um livro com um CEO como personagem. Fechei o livro e procurei outro no app, dessa vez sobre um mafioso. Porém, parecia que todos esses personagens também eram altos, lindos e fortes, e minha imaginação insistia em colocar o rosto do Sr. André neles. O que eu estava fazendo? Quando foi que esse homem tomou conta da minha mente, a ponto de eu não conseguir nem imaginar personagens em paz? Depois de um momento de frustração, desisti de ler e coloquei uma música para distrair. Não queria continuar pensando naqueles olhos azuis… ah, aqueles olhos. Pelo amor de Deus. Quando cheguei em casa, arrumei as coisas e me preparei para dormir. Como sempre leio antes de deitar, fui obrigada a voltar para o livro que havia começado antes de conhecer o bendito CEO. Para aquele personagem, eu já tinha um rosto definido na imaginação — além disso, ele era professor — o que me ajudaria a não pensar em "ninguém". — Samantha, né? - Muito prazer em te conhecer. - Gostaria de almoçar comigo hoje? {André} — Almoço? Bom, não posso ir, estou atolada com os documentos que preciso encontrar. De repente, ele segurou minhas mãos e se aproximou tanto que dava para sentir sua respiração e… Acordei assustada. O despertador estava alto e irritante, como sempre. O que estava acontecendo? Por que eu estava sonhando com ele? Isso não podia estar acontecendo. Irritada e confusa, me levantei para me arrumar. Não podia me atrasar. O restante da semana passou rápido. Fomos aprovados com louvor na auditoria, o que deixou Ana de ótimo humor. Aprendi muitas coisas e conheci pessoas interessantes: Lúcia, do DP; Bia, da contabilidade; e Sérgio, assistente de um diretor. Cada um de um setor diferente, mas, por algum motivo, me “acolheram” à mesa deles no refeitório. Trabalhavam na empresa há muitos anos e conheciam tudo e todos. Foi um ótimo achado, já que eu estava adorando aprender mais sobre a empresa. — Olha lá, aquele é o Davi, assistente do CEO. Ele quase nunca almoça com a gente. Está sempre com o chefão, então é raro vê-lo por aqui nesse horário. {Bia} — Ele é tão gato. {Lúcia} — Aí, não começa, Lu. Você suspira, mas nunca toma iniciativa. {Sérgio} — O quê? — Você gosta dele, Lúcia? {Samantha} Antes que ela respondesse, para surpresa de todos, ele vinha em nossa direção. Lúcia parecia prestes a desmaiar de tão nervosa. — Boa tarde. Se importam se eu me sentar com vocês? {Davi} — Senta aí, cara. {Sérgio} — Imagina, fique à vontade. {Bia} Fiquei calada. Não o conhecia, e Lúcia estava ocupada demais tentando lembrar como se respirava. — Davi, você já conhece a Samantha? {Bia} — Formalmente não. Muito prazer. {Davi} Ele estendeu a mão com um sorriso cortês. Retribuí o sorriso enquanto dizia que o prazer era meu. Como se estivesse esperando exatamente essa oportunidade, ele disparou uma sequência de perguntas nada sutis. — Você está gostando de trabalhar aqui? — É formada em quê? — Você é comprometida? — Tem filhos? {Davi} — Uau, cara, vai com calma. Acho que ela nem lembra da primeira pergunta. {Sérgio} Ri nervosamente e brinquei para aliviar o clima. — Vou abrir uma caixinha de perguntas no I*******m, acho que vai ser mais fácil responder. Todos riram. — Desculpa se fui indelicado. Acabei exagerando nas perguntas. {Davi} — Não tem problema, só brinquei para aliviar a tensão. — Estou gostando muito da empresa. — Sou formada em Administração e não tenho filhos. Sérgio rapidamente se virou para mim. — Você esqueceu de responder se é comprometida. Não vejo anel… você tem namorado? Respirei fundo e respondi de uma vez: — Sou viúva. Meu marido, Richard, faleceu há pouco mais de três anos em um grave acidente de carro. Todos se mostraram surpresos e ofereceram pêsames. Agradeci rapidamente e, para mudar o foco, perguntei se a Lúcia tinha namorado. Ela engasgou na mesma hora, arrancando risadas de toda a mesa.






