Mundo ficciónIniciar sesiónDepois de sua décima oitava tentativa frustrada de divórcio, Gustavo Azevedo parou de tocar no assunto de uma hora para outra. Antes, cada pedido terminava num escândalo terrível. Cortei os pulsos, tentei me jogar de um prédio e espalhei pelo saguão da empresa fotos dele na cama com a assistente. Durante uma coletiva de imprensa, arranquei a roupa de Larissa Nogueira diante de todos e a deixei com transtorno de estresse pós-traumático. Ele deveria me odiar. Mas desde então, ele nunca mais pediu divórcio. Ele voltava para casa pontualmente todos os dias e entregava o celular para mim. Informava onde estava a cada hora e, até durante as viagens de negócios, passava vinte e quatro horas por dia em chamada de vídeo comigo. Ainda assim, eu não conseguia me livrar daquela insegurança. Todos os dias, insistia em perguntar por que ele havia desistido do divórcio. Gustavo retrucava: — Tudo o que faço ainda não é suficiente? Era suficiente. Mas parecia suficiente demais para ser verdade. Só depois de me flagrar seguindo seus passos outra vez, ele finalmente revelou a verdade, exausto: — Recebi uma ligação de mim mesmo, dez anos no futuro. Ele disse que eu me arrependeria se me divorciasse de você.
Leer másPonto de Vista de IsabelaFranzi a testa ao olhar para Gustavo diante de mim.Não restava nele nenhum traço do homem que dominara o mundo dos negócios, implacável e decidido.Agora, Gustavo parecia um bêbado descontrolado, cuja razão havia sido consumida pelo álcool.Dei um passo para trás, me afastando dele.— Sr. Gustavo, precisa de mais alguma coisa?— Fique comigo, por favor! Volte para mim! Eu sei que errei, sei mesmo! Dou a empresa para você, dou tudo o que tenho, desde que você fique!As pessoas ao redor nos observavam com curiosidade, cochichando.Eram funcionários que tinham entrado no Grupo Azevedo mais recentemente.Não sabiam nada sobre o meu passado como ex-esposa de Gustavo.Franzi a testa, deixando transparecer um pouco de impaciência:— Gustavo, por favor, saia da frente. Nossa relação agora é apenas profissional. Podemos falar de trabalho, mas não temos mais nada para conversar.— Não! Não vou sair!Gustavo continuou parado na minha frente, obstinado.— Isa, você ainda
Ponto de Vista em Terceira PessoaDepois de deixar Costa Serena, Gustavo não parava de pensar naquela ligação vinda de dez anos no futuro.Queria ligar de volta mais uma vez.Se aquilo fosse verdade, queria fazer uma pergunta ao seu eu de dez anos no futuro.O que o havia deixado tão arrependido: Larissa ter sido queimada viva por Isabela ou a dor insuportável de perder Isabela?Não encontrava a resposta.Quando voltou para casa, encontrou um lugar vazio e frio, sem Isabela.Ele não parava de lembrar de como ela preparava ali seus pratos preferidos.Ela fazia o café da manhã para ele todos os dias.Ela preparava uma xícara de café quando ele trabalhava até tarde.E ela bebia com ele para comemorar quando conquistava um projeto importante.Aquele lugar guardava tantas lembranças dos dois.Mas, enquanto ela ainda estava ali, ele sempre a achava um incômodo.Agora que ela tinha ido embora, parecia faltar um pedaço do seu coração.Ele começou a trabalhar sem parar, tentando se entorpecer c
Quando cheguei em casa, meu pai já sabia que Gustavo tinha me procurado.Ele estava de testa franzida, e seus olhos, normalmente tão gentis, agora transbordavam de raiva.— Fiquei sabendo que aquele Gustavo teve a coragem de agredir você. É verdade?Sorri e balancei a cabeça.— Não foi tudo isso. Ele só veio me procurar para assinar o acordo de divórcio.— Além disso, os seguranças já me ajudaram a mandar ele embora.— Pronto, pronto. Não fique bravo!Para mim, a aparição de Gustavo não passou de um pequeno incidente.Para que ele não me encontrasse de novo, meu pai e eu até nos mudamos mais uma vez.Continuei buscando no sol e na praia, todos os dias, um alívio para as sombras que carregava por dentro.Aos poucos, fui me recuperando do transtorno de estresse pós-traumático.Já conseguia lidar com serenidade com as conversas sobre o que havia acontecido com minha mãe.A saúde do meu pai também melhorava cada vez mais.Depois de vários exames de acompanhamento, não havia sinal de que o
Depois de alguns segundos paralisada, me levantei imediatamente para ir embora.Mas Gustavo me agarrou e tentou me puxar para um abraço.Lutei com todas as forças até conseguir me soltar.— Gustavo! Nós já nos divorciamos. O que você quer, afinal?!Ele tirou o acordo de divórcio de algum lugar.E, mais uma vez, o rasgou em pedacinhos diante de mim.— Ainda não saiu a certidão de divórcio. Não estamos divorciados.Franzi a testa ao olhar para ele, sem esconder minha rejeição.— Não adianta rasgar. Depois de dois anos separados, o divórcio é automático.— O que você quer, afinal?Ele deu um passo à frente, tentando me segurar de novo, mas recuei bruscamente.A mão dele ficou suspensa no ar por um longo tempo, até finalmente cair, pesada, ao lado do corpo.— Vim perguntar se foi você ou não quem fez aquela ligação.Soltei uma risada baixa: — Ainda importa tanto assim se fui eu?— Importa!Seus olhos estavam cheios de ansiedade e irritação.— Eu preciso saber!Balancei a cabeça: — Não fui
Último capítulo