Capítulo 2
Eu ainda nem havia chegado à porta do quarto de Larissa quando dezenas de seguranças me cercaram.

Assim que me reconheceram, ficaram em alerta máximo.

— Sra. Isabela, o Sr. Gustavo deixou ordens expressas para que a senhora não se aproxime da Sra. Larissa.

Mesmo por trás daquela muralha humana, consegui ver na porta um adesivo com as fotos de Gustavo e Larissa usando filtros de cachorrinho.

As imagens estavam cercadas por um coração cor-de-rosa e, logo abaixo, letras infantis formavam o nome: Cantinho Gus-Lari.

Forcei um sorriso frio:

— Que infantil.

Eu também já havia insistido para Gustavo tirar fotos assim comigo, mas ele sempre dizia que era presidente de uma empresa de capital aberto e jamais faria algo tão infantil.

Então não era que ele não pudesse fazer aquilo. Só não queria fazer comigo.

Levei a mão ao peito, que ainda doía, e respirei fundo:

— Saiam da minha frente.

— Vocês sabem que, quando perco o controle, sou capaz de qualquer coisa.

Em seguida, tirei da bolsa o estilete que sempre carregava.

Eu só pretendia assustá-los, mas, no instante seguinte, um dos seguranças avançou sobre mim e me derrubou.

Os outros me imobilizaram com tanta força que não consegui mover um músculo.

— Desculpe, Sra. Isabela. O Sr. Gustavo determinou que, ao menor sinal de uma crise, deveríamos imobilizar você imediatamente.

Outro segurança pegou o rádio na mesma hora:

— Sr. Gustavo, a Sra. Isabela chegou! Ela trouxe um estilete...

Antes que terminasse, a voz de Gustavo soou alta e urgente:

— Então ajam logo! E se ela machucar a Lari?!

Eu, que até então lutava com todas as forças, parei de repente.

— Ela já está imobilizada. Devemos levar ela de volta à mansão ou manter ela detida por enquanto?

Do outro lado do rádio, houve alguns instantes de silêncio.

Só depois ouvi seu suspiro baixo:

— Deixem pra lá. Tragam ela para dentro.

Arrancaram o estilete da minha mão, mas, durante a luta, ele havia cortado meu pulso.

Quando fui conduzida para o quarto, o sangue ainda pingava no chão.

Mordi o lábio com força, contendo as lágrimas.

Porém, assim que atravessei a porta, fiquei completamente paralisada.

A luz do entardecer atravessava as cortinas finas e banhava a cadeira de balanço na varanda.

Sobre a mesinha ao lado, havia uma xícara de café ainda quente e um livro aberto.

Num canto, uma vitrola antiga tocava o jazz de que Gustavo gostava.

Aquilo não parecia um quarto de clínica. Era um lar.

E era o lar que eu mesma havia projetado.

Antes de nos casarmos, desenhei cada detalhe da planta à mão, seguindo os gostos que compartilhávamos.

Mas Gustavo disse que não queria me ver tão cansada e contratou uma equipe de designers, que decorou a mansão em outro estilo.

Agora, a casa dos meus sonhos estava diante de mim.

Mas havia se tornado o lar dele com outra mulher.

— Você veio.

A voz de Gustavo soou atrás de mim.

Me virei, ainda atônita, e o ouvi dizer:

— A Lari sempre dizia que adorava esse projeto, então dei para ela.

— Você não se importa, não é?

Perguntei, sem acreditar no que ouvia: — O que você acha?

Ele assentiu:

— Então pode destruir tudo, Isa. Se isso fizer você feliz.

Seus olhos passaram pelo meu pulso ensanguentado, deixando transparecer apenas repulsa.

— Eu já me acostumei. A Lari também.

Em seguida, voltou o olhar para fora da janela, sereno, como se dissesse: "Isa, olha como o pôr do sol está lindo hoje."

Segui seu olhar. Um arco-íris havia surgido no céu depois da chuva.

Mas parecia que a tempestade dentro de mim jamais terminaria.

— Gus, seu bobo, venha jogar It Takes Two comigo...

Assim que me viu, Larissa parou de falar.

O console portátil também caiu de suas mãos.

De repente, ela segurou a cabeça com as duas mãos e começou a gritar desesperadamente:

— Não! Não tire minha roupa! Não mate meu filho!

— Eu sou uma vagabunda! Sou a amante!

— Eu errei, por favor... Nunca mais vou fazer isso...

Gustavo correu até ela e a apertou nos braços.

Seus olhos ficaram vermelhos de dor.

— Está tudo bem, não tenha medo.

— Estou aqui. Ninguém vai machucar você outra vez.

Enquanto dizia aquilo, ele olhava para mim, sem fazer o menor esforço para esconder o ódio.

De repente, comecei a rir.

Ri tanto que as lágrimas escorreram pelo meu rosto.

Por um instante, tive vontade de correr, agarrar Larissa e me jogar com ela da varanda.

Mas o pouco de lucidez que ainda me restava dizia que não valia a pena.

Cravei as unhas nas palmas das mãos e, com enorme dificuldade, contive o impulso de morrer com ela.

Soltei uma risada fria:

— Larissa, pare de fingir.

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