Larissa estremeceu e abaixou ainda mais a cabeça.
— E-Eu não sei do que você está falando.
Soltei uma risada fria: — Transtorno de estresse pós-traumático não se manifesta desse jeito.
Gustavo se levantou de repente e se colocou diante dela, protegendo-a como uma muralha.
— Chega! Se quer descontar em alguém, desconte em mim.
— Pare de achar que sabe tudo. Não vou deixar você difamá-la outra vez.
É claro que eu sabia.
Eu sofria daquela doença havia mais de dez anos, desde o dia em que vi minha mãe morrer.
Sempre que me lembrava do sangue se espalhando sob o corpo dela, eu vomitava sem parar, chorava e machucava a mim mesma.
Nunca contei a ninguém que mamãe havia se jogado de um prédio porque papai se apaixonara por outra mulher.
Eu havia jurado que jamais me prenderia a um casamento.
Porém, Gustavo usou o futuro de todo o Grupo Azevedo e o restante da própria vida para me prometer que nunca me trairia.
Achei que não repetiria a história da minha mamãe.
No fim, segui exatamente o mesmo caminho: acusações histéricas, seguidas de uma destruição completa.
Mas eu não queria mais ser assim.
Levei a mão à bolsa para pegar os papéis do divórcio que já havia assinado.
A expressão de Gustavo mudou na mesma hora:
— O que você vai fazer?!
— Segurem ela!
Antes que eu conseguisse tirar a mão da bolsa, os seguranças voltaram a me derrubar e me imobilizaram com brutalidade.
Gustavo se aproximou e chutou minha bolsa para longe. O impacto fez minha mão formigar.
— Enquanto eu estiver vivo, você não vai encostar um dedo nela!
Olhei atônita para aqueles olhos tomados pelo medo e pela raiva.
Lembrei-me de uma noite em que ele se levantou às escondidas enquanto eu dormia.
Pensei que fosse procurar Larissa outra vez e o segui em silêncio, mas o ouvi perguntar ao telefone se, dali a dez anos, Isabela ainda perderia o controle e se, enquanto ele estivesse vivo, conseguiria proteger Larissa.
Na época, eu não havia entendido suas palavras.
Agora finalmente compreendia.
Aquela era a ligação que ele dizia ter recebido do futuro.
Gustavo realmente morria de medo de mim.
Não importava o que eu fizesse, ele sempre presumia que eu queria ferir Larissa.
Meu rosto ainda estava pressionado contra o piso de mármore. O frio da pedra era igual ao do meu coração.
Sorri com amargura: — O que está na bolsa são os papéis do divórcio. Eu já assinei.
Desconfiado, Gustavo abriu minha bolsa.
Bastou olhar o documento para rasgar ele em pedaços.
— Eu já disse que não vou me divorciar!
Olhei para ele com calma: — Só por causa daquela ligação?
Larissa puxou de leve a barra da roupa dele:
— Que ligação?
— Não foi nada.
— Mas você prometeu que me daria uma família.
Ele cerrou os punhos com tanta força que seu rosto ficou vermelho.
— Não faça tantas perguntas. Estou fazendo isso para o seu bem, entendeu?
Os olhos de Larissa ficaram marejados.
Gustavo enxugou suas lágrimas com uma ternura evidente: — Posso dar tudo a você, menos o título de esposa.
Aquelas palavras também eram para mim.
Para mim, ele não daria nada além do título de esposa.
De repente, tudo aquilo perdeu completamente o sentido.
— Pode assinar sem medo. Não vou queimá-la viva.
Fui eu quem pediu a alguém para fazer aquela ligação usando um modificador de voz.