Capítulo 3
Larissa estremeceu e abaixou ainda mais a cabeça.

— E-Eu não sei do que você está falando.

Soltei uma risada fria: — Transtorno de estresse pós-traumático não se manifesta desse jeito.

Gustavo se levantou de repente e se colocou diante dela, protegendo-a como uma muralha.

— Chega! Se quer descontar em alguém, desconte em mim.

— Pare de achar que sabe tudo. Não vou deixar você difamá-la outra vez.

É claro que eu sabia.

Eu sofria daquela doença havia mais de dez anos, desde o dia em que vi minha mãe morrer.

Sempre que me lembrava do sangue se espalhando sob o corpo dela, eu vomitava sem parar, chorava e machucava a mim mesma.

Nunca contei a ninguém que mamãe havia se jogado de um prédio porque papai se apaixonara por outra mulher.

Eu havia jurado que jamais me prenderia a um casamento.

Porém, Gustavo usou o futuro de todo o Grupo Azevedo e o restante da própria vida para me prometer que nunca me trairia.

Achei que não repetiria a história da minha mamãe.

No fim, segui exatamente o mesmo caminho: acusações histéricas, seguidas de uma destruição completa.

Mas eu não queria mais ser assim.

Levei a mão à bolsa para pegar os papéis do divórcio que já havia assinado.

A expressão de Gustavo mudou na mesma hora:

— O que você vai fazer?!

— Segurem ela!

Antes que eu conseguisse tirar a mão da bolsa, os seguranças voltaram a me derrubar e me imobilizaram com brutalidade.

Gustavo se aproximou e chutou minha bolsa para longe. O impacto fez minha mão formigar.

— Enquanto eu estiver vivo, você não vai encostar um dedo nela!

Olhei atônita para aqueles olhos tomados pelo medo e pela raiva.

Lembrei-me de uma noite em que ele se levantou às escondidas enquanto eu dormia.

Pensei que fosse procurar Larissa outra vez e o segui em silêncio, mas o ouvi perguntar ao telefone se, dali a dez anos, Isabela ainda perderia o controle e se, enquanto ele estivesse vivo, conseguiria proteger Larissa.

Na época, eu não havia entendido suas palavras.

Agora finalmente compreendia.

Aquela era a ligação que ele dizia ter recebido do futuro.

Gustavo realmente morria de medo de mim.

Não importava o que eu fizesse, ele sempre presumia que eu queria ferir Larissa.

Meu rosto ainda estava pressionado contra o piso de mármore. O frio da pedra era igual ao do meu coração.

Sorri com amargura: — O que está na bolsa são os papéis do divórcio. Eu já assinei.

Desconfiado, Gustavo abriu minha bolsa.

Bastou olhar o documento para rasgar ele em pedaços.

— Eu já disse que não vou me divorciar!

Olhei para ele com calma: — Só por causa daquela ligação?

Larissa puxou de leve a barra da roupa dele:

— Que ligação?

— Não foi nada.

— Mas você prometeu que me daria uma família.

Ele cerrou os punhos com tanta força que seu rosto ficou vermelho.

— Não faça tantas perguntas. Estou fazendo isso para o seu bem, entendeu?

Os olhos de Larissa ficaram marejados.

Gustavo enxugou suas lágrimas com uma ternura evidente: — Posso dar tudo a você, menos o título de esposa.

Aquelas palavras também eram para mim.

Para mim, ele não daria nada além do título de esposa.

De repente, tudo aquilo perdeu completamente o sentido.

— Pode assinar sem medo. Não vou queimá-la viva.

Fui eu quem pediu a alguém para fazer aquela ligação usando um modificador de voz.

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