“Nada que é seu de verdade precisa ser defendido.”
Cássio tentava comer, mas a atenção insistia em escapar do prato. Seus olhos voltavam, quase contra a própria vontade, para a mesa de Helena. Não conseguia evitar a pergunta martelando por dentro: quem eram todas aquelas pessoas ao redor dela?
Durante anos, Helena tivera apenas ele como centro, como referência, como mundo. Agora, parecia sempre cercada — risos, conversas, projetos, vidas que não incluíam mais o seu nome.
Helena não lhe concedeu sequer a chance de um segundo olhar. Estava inteira onde estava, voltada para o presente, alheia — ou indiferente — à presença dele.
Santiago, por sua vez, percebia. De vez em quando, levantava os olhos, captava os olhares disfarçados de Cássio e, sem dizer nada, mantinha-se firme ao lado dela.
Pedro, não. O segurança não desviava os olhos atento a tudo.
Cássio sentiu o recado chegar claro. Depois de tantos encontros casuais, ele já havia deduzido que se tratava de um segurança.
Outra pergunta