“Arrependimento não mata, o que nos dói é a certeza de que nossas vidas poderiam ter seguido um rumo diferente.”
Nem mesmo a dor provocada pela troca do curativo conseguiu arrancar Cássio do torpor em que estava mergulhado. Ele continuava distante, afundado no próprio vazio.
Silvia, ao seu lado, tentava decifrar o emaranhado de pensamentos que o mantinha tão distante.
O procedimento havia sido rápido e, em poucos minutos, já estavam novamente no corredor da clínica. Antes de seguir, Cássio lançou um último olhar para a porta fechada do consultório de obstetrícia. Doía — profundamente —, mas não havia mais nada a ser feito. Nem sequer podia se permitir qualquer aproximação, amarrado pela medida restritiva que o mantinha afastado dela.
— Vamos — chamou Silvia, firme. — Precisamos conferir os últimos detalhes do lançamento — acrescentou tentando incutir nele algum senso de urgência, qualquer coisa que o arrancasse daquele lugar.
Cássio baixou a cabeça. Após alguns segundos, assentiu e se