“Nada assusta mais do que ver alguém que você acreditava conhecer se transformar diante dos seus olhos.”
O vento frio da noite bateu no rosto de Cássio assim que eles dobraram a esquina da galeria. Ele caminhava rápido, respirando como um touro prestes a investir, enquanto Silvia choramingava ao seu lado e Tânia resmungava atrás.
Renato fechou a porta do carro com mais força do que pretendia. A raiva dele não era igual à de Cássio — era um tipo de irritação cansada, saturada.
Ele olhou para o amigo por um momento longo demais, analisando-o.
Cássio mantinha o maxilar travado, os olhos vermelhos, ainda tomado por uma mistura de humilhação e fúria que beirava o irracional.
— Cássio… — Renato começou, controlando o tom para não acender mais o pavio — você precisa parar.
O outro se virou bruscamente.
— Parar o quê, exatamente?! — rosnou. — Viu o que ela fez? Ela me provocou. Aquilo ali foi um ataque, um teatrinho barato pra me humilhar!
Renato respirou fundo, passando a mão pelo rosto.
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