“O perigo não nasce do que se perde, mas do que alguém se convence de que ainda lhe pertence.”
Cássio tentava se manter concentrado no trabalho, esforçando-se para conter o impulso de ligar para Renato. A ausência do amigo, somada às palavras duras da noite anterior, corroía-o por dentro. Renato sempre fora seu confidente, seu apoio silencioso. Mesmo diante das mentiras, omissões e distorções que ele próprio criara, o amigo permanecera ao seu lado. E agora… agora ele sentia que até aquela amizade estava escorrendo pelos dedos.
Quando percebeu seu devaneio, já havia perdido completamente o fio de entendimento da planilha à sua frente.
Esfregou o rosto com força, levantou-se da cadeira e decidiu ir até a sala da equipe de criação. Porém, assim que atravessou a porta, o telefone vibrou no bolso. Ele pegou o aparelho na esperança de que fosse o amigo, mas o que viu foi o nome do pai iluminando a tela.
Durante a viagem, já tinha ignorado ligações demais da família. Resolveu atender.
— Alô.