40. Blade
Blade
A noite cai, e o cansaço cobra um preço muito alto, mas eu não consigo sequer me deitar na cama, onde há poucas horas fizemos amor. Os lençóis ainda guardam o seu perfume. Portanto, fecho os meus olhos e, em um lampejo cruel, volto para o momento que a vi pela primeira vez. Abby parecia perdida entre as luzes de neon, na boate.
Ela foi a mulher capaz de balançar meu coração com um único olhar.
… E eu não vou a lugar nenhum.
— Você mentiu para mim! — resmungo malcriado, dolorido.
… Você disse que é meu, Blade, quero que mas saiba que sou sua também.
Essas lembranças me dilaceram. Uma dor funda que atravessa meu peito, e tenho vontade de gritar, só para ver se essa dor se esvai.
E, feito um homem condenado, ajoelho-me ao pé da cama, seguro os lençóis e os aperto entre os meus dedos, enquanto choro a minha dor.
… Você é luz, Abby… e eu sou o homem que vive tentando fugir da própria escuridão.
… Eu te quero para mim.
… Não sei se o que sinto é amor, mas sei que não quero deixá-l