Prisioneira do Homem Mais Perigoso
Prisioneira do Homem Mais Perigoso
Por: Dany Cardoso
Capítulo 1: O Fim de Tudo

A noite parecia ter sido feita para ser lembrada como a pior de toda a vida de Elena Varella. Era a grande festa de noivado, um evento que fora planejado durante meses, onde toda a alta sociedade da cidade estava presente, vestida com as melhores roupas, brindando com os melhores vinhos e celebrando o que todos achavam ser o casamento do ano. Elena estava lá, no centro de tudo, vestida com um vestido de renda branca e pérolas, sentindo-se a mulher mais feliz e sortuda do mundo. Ou pelo menos, era o que ela pensava até o momento em que entrou na sala principal e viu a cena que destruiu completamente a sua vida.

Lá estavam eles: Felipe, o homem que ela amava, com quem tinha sonhado passar o resto da sua vida, o homem que havia prometido amor, fidelidade e respeito diante de todos… e ao lado dele, nos braços dele, beijando-o como se não houvesse amanhã, estava Carla, a sua própria prima. A mulher que ela considerava uma irmã, em quem confiava todos os seus segredos, que estava ao seu lado ajudando a escolher o vestido, o buquê e os detalhes da festa. Eles não estavam escondidos. Não tentavam disfarçar. Estavam ali, no meio da festa, diante de todos, entregues um ao outro, como se Elena não existisse, como se ela fosse apenas um obstáculo que eles tinham resolvido remover do caminho.

O silêncio que se fez no salão quando Elena parou na porta foi ensurdecedor. Todos os olhares se voltaram para ela, alguns cheios de pena, outros de vergonha, e muitos outros com um brilho de diversão maldosa. As pessoas que antes a elogiavam, que bajulavam a família Varella e queriam estar perto dela, agora cochichavam entre si, com sorrisos de canto de boca, murmurando frases que chegaram aos seus ouvidos como facadas: “Ela era tão ingênua, não é mesmo?”, “Claro que ele iria querer alguém mais… interessante”, “Pobre Elena, sempre achou que era especial, agora vê onde isso deu”.

Felipe afastou-se de Carla devagar, sem nenhum arrependimento no rosto, apenas uma frieza que gelou o sangue dela. Ele olhou para ela, encolhida na porta, com os olhos cheios de lágrimas, e disse com uma voz alta o suficiente para que todos ouvissem:

— Olha, Elena… não queria que fosse assim, mas é melhor que saiba logo. Eu não te amo mais. Na verdade, acho que nunca amei de verdade. Você é… boazinha, é educada, é perfeita para ser esposa de um homem de negócios, mas é tão… sem graça. E Carla, bem, Carla tem o fogo que você nunca teve. Não posso mais casar com você. Não posso passar a vida ao lado de alguém que não me faz sentir nada.

As palavras dele cortaram fundo, muito mais do que qualquer lâmina poderia cortar. Elena sentiu o chão desaparecer sob os seus pés. Tudo o que ela construiu, tudo o que ela acreditou, todo o amor que ela dedicou, tinha sido em vão. Ela não era nada para ele. Era apenas um troféu, um nome, uma posição social. E agora, ele a jogava fora como se fosse um objeto velho e sem utilidade.

Ela saiu da festa correndo, ignorando os olhares, ignorando os cochichos, ignorando tudo o que não fosse a dor esmagadora que sentia no peito. Durante as semanas que se seguiram, a vida dela se tornou um inferno pessoal. Não havia lugar onde ela fosse que não ouvisse comentários. Não havia rosto que olhasse para ela sem que ela lembrasse da humilhação pública. Na rua, no shopping, na igreja, nos eventos da sociedade… todos sabiam. Todos tinham visto. E todos achavam que tinham o direito de julgá-la, de dizer que ela mereceu, que ela devia ter percebido antes, que ela era fraca por ter sido deixada de lado dessa forma.

A família dela, envergonhada, pediu que ela se afastasse um pouco, que ficasse em casa até que “a poeira baixasse”. Mas para Elena, a poeira nunca iria baixar. A marca estava lá, gravada na sua reputação, gravada no seu coração. Ela deixou de ser a mulher mais cobiçada, a herdeira admirada, para se tornar apenas a mulher que foi trocada pela própria prima. A vergonha consumia-a por dentro, e o ódio começou a crescer no lugar do amor e da dor. Ela não podia continuar assim. Não podia deixar que eles saíssem impunes, felizes, rindo da sua cara, enquanto ela definhava na solidão e na humilhação.

Foi então que a ideia surgiu, como uma luz no meio da escuridão, uma ideia que todos diriam ser loucura, uma ideia perigosa, desesperada, mas que era a única forma que ela via de recuperar o seu orgulho. Ela ouvia falar dele desde criança. Todos na cidade falavam o nome dele em voz baixa, com medo, com respeito, com um temor ancestral. Dante Moretti. Ele era o dono de tudo. Dono dos terrenos, das empresas, dos negócios, e diziam até que dono da própria lei. Era um homem jovem, mas com uma reputação construída sobre poder, frieza e crueldade com os inimigos. Era lindo, sim, mas perigoso como uma lâmina afiada. Ninguém ousava chegar perto. Ninguém ousava desafiá-lo. Dizia-se que quem entrava na vida de Dante Moretti, nunca mais era o mesmo. Muitos entravam, poucos saíam… e os que saíam, saíam com cicatrizes profundas.

Mas Elena não tinha nada a perder. Ela já estava destruída. Já não tinha honra, não tinha dignidade aos olhos dos outros. Então, numa noite escura e chuvosa, vestida com um casaco escuro, escondendo o rosto e o coração disparado, ela pegou o carro e dirigiu até a enorme mansão no topo da colina, um lugar imponente, cercado de muros altos e seguranças armados. Ela desceu do carro, respirou fundo, limpou as lágrimas que insistiam em cair, e bateu na porta de madeira maciça, com a firmeza que ela não sentia por dentro.

Quando a porta se abriu, e ela o viu pela primeira vez de perto, sentiu um arrepio que não era só de medo. Dante era ainda mais impressionante pessoalmente. Alto, ombros largos, cabelos negros e olhos tão escuros que pareciam engolir qualquer luz que chegasse perto. Ele olhou para ela, da cabeça aos pés, com uma calma que fazia parecer que ele já esperava por ela.

— O que uma moça como você faz na porta da minha casa, a essa hora da noite? — perguntou ele, com uma voz grave, rouca e profundamente sedutora, que pareceu vibrar nos ossos dela. — Todos sabem que não é seguro estar aqui. Principalmente para alguém da sua posição, Elena Varella.

O fato de ele saber quem ela era a deixou surpresa, mas ela não recuou. Ergueu o queixo, mostrando todo o orgulho que ainda restava nela, e disse, direta e sem rodeios:

— Eu vim propor um acordo, senhor Moretti. Eu sei quem o senhor é. Sei do seu poder, e sei que o senhor é o único homem capaz de me dar o que eu quero. Eu quero vingança. Quero que todos que me humilharam vejam que eu não sou o que eles pensam. Quero que Felipe e Carla percebam o erro que cometeram ao me jogarem fora. E o senhor… o senhor é a única pessoa que pode me dar isso.

Dante sorriu, um sorriso que não chegou aos olhos, um sorriso de predador que encontrou a presa mais interessante do mundo. Ele se inclinou ligeiramente para frente, invadindo o seu espaço pessoal, e ela pôde sentir o perfume forte e masculino que dele exalava.

— E o que você tem para me oferecer em troca, Elena? Porque tudo o que eu faço, tem um preço. E os meus preços… costumam ser muito altos.

Ela engoliu em seco, sentindo o coração bater forte, mas respondeu com firmeza:

— A mim mesma. Ficarei com o senhor o tempo que o senhor quiser. Serei sua companhia, sua amante, o que o senhor desejar. Mas apenas até que eu consiga o que quero. Depois… cada um segue o seu caminho.

Por um momento, houve um silêncio absoluto. Dante a observava, estudando cada detalhe do seu rosto, cada tremor dos seus lábios, cada centelha de determinação nos seus olhos cheios de dor. Ele deu um passo para trás, abriu mais a porta e fez um gesto para que ela entrasse.

— Entre, Elena. Você tem coragem, disso eu não tenho dúvidas. E coragem é uma qualidade rara. Eu aceito o seu acordo. Mas saiba de uma coisa: ninguém usa Dante Moretti. Se você entrou no meu jogo… vai ter que jogar até o fim. E o fim… pode ser muito diferente do que você imagina.

Elena entrou na mansão, sentindo que estava assinando a sua sentença, mas naquele momento, ela não se importou. Ela só pensava em uma coisa: dar a volta por cima. Mal sabia ela que, ao cruzar aquela porta, não estava apenas fazendo um acordo de vingança… estava entregando a sua vida, o seu coração e a sua liberdade nas mãos do homem mais perigoso do mundo. E que, a partir daquela noite, nada, absolutamente nada, seria igual.

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