O grito de Muralha atravessou o saguão. As funcionárias olharam para o senhor. Achavam que ele era uma espécie de guarda-costas de Sara e Ivan.
Diferente do filho, ele não se importava com a opinião de ninguém além dos seus.
Chamou novamente.
— Filho, espera!
Lucca parou antes de as portas do elevador se fecharem. O nome, dito daquela forma, tinha o peso de um coração chamando o outro.
Se lembrou do tribunal...
O julgamento de Ive, o desespero de Muralha, o grito do pai tinha soado exatamente igual.
Muralha foi até o filho, ainda estava mancando, o corpo reclamando pela queda, o ombro ardendo, a mão latejando. Mas nada disso importava.
O mundo inteiro se reduziu ao filho, o rosto perdido virado na direção da sua voz.
— Pai?
A voz de Lucca saiu como se carregasse esperança e dor na mesma nota.
Muralha engoliu a dor que subia do dedo e respondeu.
— Sou eu filhão.
Deu mais dois passos, e a visão escureceu por um segundo, não tinha percebido que bateu a cabeça na queda.
Lucca estendeu a m