— Sua mãe já fez isso, filhão.
Foi a única frase que Muralha conseguiu dizer sem que a voz o traísse. Não era bom que o filho não pudesse enxergar mas naquele momento, era a única forma que o senhor teve para esconder o que estava sentindo com o desespero de Lucca.
O rapaz não se satisfez com aquilo, achou que o pai estivesse falando do veneno.
— Não pai! Ela não vai parar nunca. A deja machuca até o Lucca parar de errar. E eu estou errado, porque eu queria a coradinha e agora eu quero beijo da Lara e a sua voz. Pai ela vai...
Muralha interrompeu o filho.
— Ela não vai! Ninguém nunca mais vai te fazer chorar, filhão. Esquece, a tal cigana está morta.
A palavra “morta” caiu como a lâmina de um machado no coração do rapaz.
Sussurrou perdido nas próprias sensações.
— Mãe.
Lucca sabia de onde tinha vindo, do que os pais e os padrinhos eram capazes, mas não esperava... Não isso!
Muralha segurou a mão do filho.
— Lara! Lara é a sua mãe, lembra?
— Eu sei, mas...
O rapaz não conseguia explica