O medo falou mais alto do que a razão, Muralha desceu tão rápido que acabou caindo no meio da escadaria.
A pressa o cegou, sempre acontecia, Lara vivia dizendo que ele era estabanado.
O pé escapou num degrau molhado.
O corpo pendeu para frente e o peso não ajudou a encontrar o equilíbrio que o salvaria.
O mundo girou e tudo se tornou aço e concreto.
Rápido demais para pensar, ainda assim ele tentou se segurar, mas o corrimão escorregou dos seus dedos como o filho que ele estava tentando salvar de algo que nem sabia ao certo o que era.
O som pesado da queda soou oco no corpo rolando nos degraus de aço, o eco vibrou para ninguém.
A idade sempre cobra o seu preço, o ombro reclamou, as costas queimaram, mas o que o fez grunhir foi a mão.
Paralisou com a dor que irradiava até o ombro.
O dedo mínimo torto, virado para trás como um galho quebrado.
O coração batendo tão rápido que parecia não deixar espaço para que os pulmões fizessem o seu trabalho.
— Lucca
O nome do filho saiu antes do ar.