Muralha sentiu o cheiro de Lara, a fragrância doce que ele odiava amar, naqueles anos longe de casa, a cada vez que uma mulher passou por ele com aquele perfume era tão doloroso quanto um tiro no peito.
Quis esquecer tudo, fingir que nada daquilo existia, mas não podia.
Precisava de Lara inteira, não apenas a beleza dela.
Queria o corpo daquela mulher, mesmo que achasse que seria só isso, que a tocaria até ouvir os gemidos desesperados da esposa, mas sem conseguir tê-la de fato.
Respondeu com a voz mais firme do que o planejado.
— Não, eu te amo, Lara. E para te amar, eu preciso de você viva e… falando. Temos que sair daqui, mas não para o que você está pensando.
— Falar? Desde quando você fala? O que aconteceu?
Muralha beijou a testa da esposa, ficou com os lábios colados a pele dela por um tempo.
— Vamos. Sem caçar fantasmas hoje. Vamos só conversar. Eu te prometi um passeio.
Ele dirigiu para o lugar mais barulhento que conhecia e Lara reclamou, não tinha a menor lógica.
— Comer?!