Estava apavorado pela possibilidade de não poder viver o que sentia pela esposa, ao mesmo tempo, louco de felicidade por ganhar ao menos a chance de se despedir daquele corpo.
Ainda assim, foi diferente.
A urgência da primeira vez havia dado lugar a uma espécie de redescoberta, uma validação de que o tempo não havia apagado as marcas que um corpo deixou no outro.
Ele a deitou sobre a colcha desfeita, pairou sobre a mulher sustentado apenas pelos cotovelos.
— Minha Lara. Sabe o que eu...
Ela não o deixou falar, precisava sentir o peso dele, a pressão que a lembrava da realidade, o cheiro de suor que era o seu lar.
Quando os lábios se encontraram, o beijo não foi selvagem, as línguas se encontraram de um jeito profundo e demorado.
Mas ela reclamou.
Traçou com os dedos a barba dele, a brutalidade doce que lhe fazia falta, e ele respondeu mordendo o seu lábio inferior e em seguida perguntou a esposa.
Uma pergunta que ele sabia a resposta.
— Nada de declarações de amor?
A mão de Mu