Antônio não entendeu o que as entrelinhas contaram e Ivan queria que continuasse assim.
Pegou um chocolate de uma das prateleiras e entregou ao rapaz.
— Come.
Era tentador. Passou no nariz, o cheiro daquele doce era tão bom quanto o sabor, mas chamou pela dona da doceria.
— Senhora fofinha?
Ela respondeu ainda com o rosto molhado pelas lágrimas.
— Oi, meu amor.
— Você aceita cartão? O pai da Ive não tem dinheiro de verdade.
— Aceito, pode comer.
Antônio abriu a embalagem satisfeito com a informação.
Ouviu o sogro negociando alguma coisa, mas havia sido ensinado por Mayana que ouvir não significava entender.
Focou apenas no chocolate enquanto Ivan perguntou sobre Jorge.
— Disse que ele foi libertado. Onde ele está?
— Jorge mora na rua desde que saiu da cadeia. Pede esmolas durante o dia e dorme em um abrigo da prefeitura.
Depois de algumas perguntas Ivan tinha todas as informações que precisava para localizar o verdadeiro responsável pela prisão de Antônio.
E a pessoa não estava dentro