Antônio se sentia estranho na sala de testemunhas. Queria ficar com Ive, não entendia o motivo de precisarem ficar separados.
Pediu à psicóloga judicial.
— Eu não gosto daqui. Deixa eu ficar com a Ive? Ela está com medo, a gente cuida um do outro.
A senhora de uns cinquenta anos olhou para ele sem saber o que pensar.
O rapaz parecia oscilar entre ingenuidade e perigo.
— Não é permitido, mas podemos conversar para se acalmar. Conta para mim como conheceu a Ive.
O rapaz virou a cabeça de leve, a voz daquela senhora parecia calma. Boa de ouvir, mas ele já não sabia responder à pergunta.
Então, questionou a mulher.
— Acha que é possível uma pessoa não saber quem é?
A psicóloga gostou do caminho que a conversa estava tomando.
— É muito comum, Antônio. Mas por que está me dizendo isso?
— Acho que eu já conhecia a Ive. Penso nisso às vezes, mas meu amigo diz que eu não sou bom para pensar. Minha cabeça é estranha.
Antônio bateu na própria cabeça antes de continuar.
— Eu sou feio aqui dentro