Fernando acordou com a cabeça latejando. A boca seca, o gosto amargo da bebida ainda queimando sua garganta. Piscou algumas vezes, estranhando a claridade que entrava pelas frestas da cortina, e só então percebeu que ainda vestia a mesma roupa da noite anterior. O paletó amarrotado, a camisa com marcas de suor. Suspirou fundo, enfiando as mãos no rosto.
Aos poucos, as lembranças vieram como lâminas afiadas: a discussão com Bianca, as acusações, o sexo selvagem que mais parecia guerra, depois o uísque, os risos embriagados, Paola tentando se insinuar, e… o olhar de Bianca, firme, reivindicando o direito de cuidar dele.
Fechou os olhos com força. A imagem que veio à mente não foi o corpo dela entregue a ele no chuveiro, mas a cena maldita que o assombrara noite e dia: Bianca com as mãos no peito de Alex, os rostos tão próximos que pareciam prestes a se beijar. O sangue dele ferveu. O mesmo veneno da dúvida o corroía.
Se levantou de repente, atirando a gravata no chão. Procurou por el