Bianca ergueu o rosto lentamente, as lágrimas ainda presas nos olhos, faiscando em meio à fúria que lhe queimava por dentro. O peito arfava, sufocado por sentimentos contraditórios: dor, mágoa, raiva — e, por trás de tudo, um desejo que ela odiava admitir.
— Pense o que quiser, Fernando — disse, a voz firme, embora trêmula.
— Eu já disse que nunca te traí. Não vou ficar repetindo isso mil vezes. Se você não acredita em mim, o problema é seu.
Ela respirou fundo, tentando manter a postura, mas os lábios se contraíam de frustração.
— Quem traiu esse casamento foi você. Então, para de me acusar de algo que eu nunca fiz. Eu só estou naquela casa por causa da nossa filha.
As palavras cortaram como navalhas. Fernando apertou o volante com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos. O olhar dele era escuro, sombrio, um misto de ódio e dor que parecia prestes a explodir.
— Então é isso? — ele rosnou, com um sorriso amargo e quase enlouquecido.
— Quer dizer que você não me am