O relógio de carvalho na sala de estar marcava dez horas da manhã, mas a penumbra das cortinas pesadas mantinha o ambiente em um estado de crepúsculo perpétuo. Mariana estava sentada no sofá de veludo, com a postura impecável de quem nunca baixa a guarda, nem mesmo na solidão. Diante dela, a enorme tela de LED exibia o plantão urgente de uma emissora de notícias. O letreiro vermelho "OPERAÇÃO ICEBERG" piscava, iluminando o rosto dela com um brilho intermitente e gélido.
Nos últimos quinze dias,