Nos abraçamos forte, e por um longo minuto, eu só senti o cheiro dele, o tecido grosso da roupa da prisão, o alívio de estar com alguém que me amava sem condições.
— Como você está? — perguntei, sentando e segurando as mãos dele sobre a mesa.
— Tô bem, Mari. Tão bem quanto se pode estar aqui dentro — ele respondeu, os olhos examinando meu rosto. — Mas e você? Parece cansada. Tá comendo direito?
Eu forcei um sorriso.
— Tô sim, pai. Tô trabalhando, lembra? Mas e você? Tá tomando o remédio direitinho? Dormindo?
— Tô, tô, pode ficar tranquila — ele disse, batendo de leve nas minhas mãos. — Até a médica falou que minha pressão tá melhor. E tão me deixando ajudar na horta. Passo a manhã no sol, faz bem.
Fiquei olhando para ele. Ele realmente parecia melhor, menos pálido, os olhos com um pouco mais de vida. Um nó na minha garganta se desfez.
— Que ótimo, pai. Sério. Você não sabe como fico feliz em ouvir isso.
— E você, me conta — ele insistiu, a voz baixa. — Esse trabalho… tá muito ruim? A