(Mariana)
A volta no carro foi um silêncio denso, só quebrado pelo ronco suave da Laura, que adormeceu quase assim que o carro começou a andar. Rodrigo dirigia, seus dedos brancos no volante e a mandíbula cerrada o caminho todo.
A tensão entre nós era quase física, um muro invisível que ocupava todo o banco de trás.
Ele tinha praticamente dispensado o motorista, que chamou um uber e foi embora.
Ele estacionou na garagem e, sem uma palavra, saiu e abriu minha porta. Não me olhou.
Apenas se inclinou, desprendeu a Laura da cadeirinha com movimentos suaves e precisos, e a pegou no colo, envolvendo-a no seu casaco.
Ela resmungou no sono, enterrando o rosto no pescoço dele.
Eu segui, me sentindo como uma sombra. Ele subiu as escadas direto para o quarto da Laura, e eu fui atrás, incerta do meu papel.
No quarto, sob a luz do abajur, ele foi incrivelmente gentil. Ajoelhou-se ao lado da cama, tirou os sapatinhos e beijou a testa dela com uma ternura que me fez o coração apertar de um jeito