Capítulo 22
Helena Baldin
Eu nunca imaginei que voltaria a sentir meu corpo vivo, a me sentir viva.
Não desse jeito.
Não com essa força.
Não com essa urgência que tomou cada parte de mim quando Dante me colocou na cama dele.
Quando ele me ergueu no colo, meu coração disparou tanto que doeu. E não foi de medo. Foi… reconhecimento. Como se meu corpo já soubesse o caminho até o dele antes que minha mente tentasse impedir. Como se todas as defesas que eu construí por anos tivessem caído uma a uma, derrubadas pelo jeito como ele me segurou, firme, decidido, mas ainda assim como se eu fosse algo precioso demais.
E eu não era preciosa. Eu era quebrada. Eu era várias e vários cacos.
Mas quando ele me deitou na cama, eu senti algo dentro de mim se mexer… como se alguém tivesse acendido uma luz em um lugar da alma que eu pensei ter morrido junto com meu filho.
O quarto dele tinha cheiro de madeira, de homem, de algo quente que me envolvia sem pedir permissão. A luz era fraca, dourada, beijando