Evelyn
Segurei o diário com as duas mãos por um tempo antes de conseguir abri-lo de novo. As páginas tinham cheiro de papel antigo misturado com algo que eu não sabia como descrever, talvez memória. Dante permaneceu por perto, sentado na poltrona, silencioso e atento. Eu sentia o olhar dele mesmo quando não levantava o rosto.
Li. Li tudo. Os pensamentos da minha mãe não eram suaves. Eram crus, feridos, às vezes até amargos. Ela não escrevia para ser compreendida, escrevia para sobreviver.