Ela acordou com gosto de metal na boca e o peito queimando.
A sala era branca demais.
Luz fria de LED atravessava os olhos como lâmina. O corpo ainda preso à maca, tiras frouxas nos pulsos e tornozelos — alguém tinha pressa. O soro vazio pingava no chão em intervalos irregulares. Ao lado, uma bandeja de aço com tubos alinhados, todos preenchidos.
O sangue dela.
Cally fechou os olhos por um segundo.
As memórias não vieram como linha contínua — vieram em cortes.
Nove meses.
Nove meses sem janela,