Isadora
O sol de Angra não tem misericórdia. Ele invade o quarto pelas cortinas de linho como um rio de ouro líquido, espalhando uma claridade quente que pinta o teto de tons suaves e me arranca do sono com um sobressalto. Por um instante, fico desorientada, presa naquele estado nebuloso entre sonho e realidade. Mas não é o sol que rouba meu fôlego. É a ausência.
O lado de Daniel na cama está vazio. O lençol ainda guarda um leve calor, como se ele tivesse saído apenas segundos atrás, mas a ausê