Lilian
“Para voltar para um homem que mente na mesma intensidade que respira?”
Essa frase ecoava dentro de mim como um sussurro venenoso que nunca se calava. Ela se repetia nas madrugadas insones, nos silêncios longos demais, nos momentos em que eu tentava respirar fundo e fingir que estava tudo sob controle. Eu odiava ser tão influenciável. Odiava permitir que uma frase, uma simples frase, tivesse poder suficiente para me fazer duvidar de Lucian.
Mas odiava ainda mais o fato de que a dúvida não vinha do nada.
Lucian nunca foi flor que se cheirasse. Nunca foi. Eu é que fui cega. Daltônica para os sinais vermelhos, surda para os alertas, muda diante das evidências. Escolhi ignorar tudo porque amar ele parecia mais fácil do que aceitar a verdade.
Ele era um psicopata diagnosticado. Um homem frio, calculista, incapaz de amar da forma como eu sempre implorei em silêncio. E mesmo assim, eu continuava ali. Ajudando. Protegendo. Fazendo tudo o que ele pedia.
Eu e esse meu maldito coração.
Vo