Lilian
Eu ficaria bem. Foi o que eu disse. O que eu tentei acreditar.
Mas a verdade é que não. Eu não estava bem.
Eu estava de luto por uma mulher que eu nunca conheci.
Doía de um jeito silencioso, profundo, como se alguém tivesse colocado uma pedra dentro do meu peito.
Doía saber que eu nunca olharia nos olhos dela e perguntaria.
Por que você me deixou?
Por que você me abandonou?
Eu não sentia amor por ela. Não sentia vínculo, nem memória, nem gratidão.
Mas, ainda assim, saber que ela havia sido assassinada…
Aquilo corroía alguma parte minha que eu não sabia que existia.
A dor vinha como ondas, raiva,
angústia, um luto que não me pertencia, mas me esmagava como se fosse meu.
— Vamos, você precisa descansar — Lucian disse, fechando a tela do computador. Seus olhos pousaram em mim com um peso estranho. Era como se ele estivesse com pena. Eu odiava quando ele olhava assim para mim.
— Eu não estou cansada. Me deixe terminar. Eu… eu estou melhorando — murmurei, tentando pegar o computado