90. QUANDO A PORTA NÃO SE ABRE
Leonardo Vilar não dormira naquela noite.
A decisão estava tomada desde o instante em que deixara a casa de Henrique no dia anterior, com o orgulho esmagado e a certeza de que havia perdido algo que sempre acreditara ser seu por direito. As crianças. Seu sobrenome. Seu controle.
Na manhã seguinte, vestiu-se com precisão excessiva. Camisa passada, paletó escuro, expressão treinada diante do espelho. Repetiu mentalmente cada frase que diria. Cada acusação. Cada argumento que usaria para desmontar