A estrada até Guadalajara parecia mais estreita do que em qualquer outro dia, embora o trânsito estivesse o mesmo de sempre. Nicolás dirigia com uma atenção que beirava o exagero, os olhos alternando entre o asfalto, os retrovisores e o relógio no painel, enquanto Rafael, no banco de trás, monitorava Camila como se cada quilômetro rodado fosse um teste de resistência ao qual ele não tinha autorizado ninguém a submetê-la.
Ela estava encostada no banco, cinto afivelado, uma garrafa de água pela metade na mão e o exame de ultrassom dobrado com cuidado dentro da bolsa. O enjoo dos primeiros meses tinha dado lugar a um peso diferente, uma fadiga que começava nas costas e se espalhava pelas pernas, mas, naquela manhã, o que mais incomodava não era o corpo, e sim a expectativa de ouvir, de uma vez por todas, se o pai tinha sido, de fato, colocado no lugar errado na história.
— Se estiver cansada, fala — Rafael disse, pela terceira vez desde que saíram da Hacienda. — A gente para num posto, v