A tarde havia caído devagar sobre a Hacienda, e o ar começava a ficar mais fresco quando Rafael passou o braço pela cintura de Camila e a levou até a varanda que dava para o campo de agave. A vista era tão vasta que parecia infinita, um mar azul-esverdeado se movendo com o vento, e por um momento ela quase se permitiu respirar como se nada estivesse desmoronando dentro de si.
Rafael ficou atrás dela, sem tocar de imediato, apenas observando a forma como ela apoiava os cotovelos no corrimão e tentava parecer inteira. Ele sabia que não estava. Sabia desde o instante em que a viu colocar os pés no chão naquela manhã e falhar no próprio equilíbrio. Mas estava tentando respeitar o pedido dela. Tentar era o máximo que conseguia.
— Você veio olhar o pôr do sol comigo ou veio me escoltar para garantir que eu não caia da varanda? — Camila perguntou, sem virar o rosto, tentando soar leve.
— As duas coisas — ele respondeu, aproximando-se até quase encostar o peito nas costas dela. — Mas não vou