Rafael não soltou Camila pelo resto do dia. Não era figura de linguagem; era literal. Cada vez que ela tentava se afastar mais do que dois passos, ele surgia ao lado dela, não importava se estava na cama, no sofá, junto à janela ou na porta do banheiro. Não havia como se mover sem sentir aquela presença firme e quente ao redor, uma sombra que respirava, pensava e reagia antes dela.
Camila passou a tarde tentando ler alguns documentos da investigação, mas não conseguiu manter o foco nem por cinco minutos. Rafael estava sentado ao lado dela no sofá, não tocando diretamente, mas próximo o suficiente para que a temperatura dele preenchesse o espaço entre os dois. A cada pequena alteração no modo como ela respirava, no jeito como mudava de posição, ele virava o rosto imediatamente.
— Você está pálida de novo — ele observou.
— Estou igual estava dez minutos atrás — ela rebateu, sem levantar o olhar dos papéis.
— Dez minutos atrás você também estava pálida.
Ela suspirou, largando as folhas n