Camila acordou antes do sol. Acordou porque o corpo avisou que algo estava errado, porque o enjoo subiu de um jeito tão rápido que ela mal teve tempo de sentar na cama. Rafael ainda dormia — ou pelo menos parecia dormir, porque ele sempre acordava no menor movimento dela — e, por um instante, ela tentou não fazer barulho enquanto se levantava.
O chão parecia mais longe. O ar parecia mais denso. Cada passo até o banheiro exigiu mais força do que ela admitiria. Assim que fechou a porta, apoiou as duas mãos na pia e tentou respirar, mas o enjoo veio quebrando qualquer racionalidade. Ela se inclinou, buscando estabilidade, e tudo dentro dela girou.
Não conseguiu chamar por ele.
Não conseguiu dizer nada.
Apenas ouviu o próprio corpo fraquejar.
E o som que escapou — um gemido engasgado, um pedido involuntário — foi suficiente.
Rafael estava na porta em segundos.
Primeiro ele bateu. Uma vez.
Depois mais forte.
Depois, quando não ouviu resposta, usou o lado do punho.
— Camila, abre essa porta