CAPÍTULO 62 —  A CAIXA ESCONDIDA

Camila acordou antes de Rafael, não porque tivesse descansado o suficiente, e sim porque o corpo reaprendeu rápido demais a ficar em estado de alerta. O quarto estava meio escuro, a cortina deixava passar só uma faixa de luz e a respiração dele, profunda, aquecia a pele das suas costas. Por alguns segundos, ela se permitiu ficar imóvel, ouvindo o ritmo constante do peito dele, lembrando do jeito como ele a carregara para fora do salão na noite anterior como se o resto do mundo pudesse esperar.

O enjoo não tinha desaparecido. Não era o mesmo golpe que a derrubara diante do cheiro de carne, mas continuava ali, discreto, insistente, como um lembrete incômodo de que algo dentro dela não estava disposto a voltar ao padrão anterior. Alongou-se devagar, com cuidado para não acordá-lo, e apoiou a mão no estômago num gesto automático. Não doía, não havia pontada, só aquela estranheza difusa, quase uma presença.

Rafael mexeu-se atrás dela, como se o corpo sentisse falta do peso que ela tirara d
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