CAPÍTULO 63 — DUAS LINHAS E UM SOBRENOME

Camila ficou algum tempo parada diante da porta do banheiro, como se aquele vão de madeira fosse a última barreira entre a vida que ainda podia ser negada e a que já começava a se impor por conta própria. O teste estava ali dentro, sobre a pia, em uma caixa branca que parecia inflar de importância cada vez que ela pensava nela. Respirou fundo, fechou a mão em torno da chave presa ao pulso e, antes que o medo ganhasse mais um centímetro, girou a maçaneta.

O banheiro estava arrumado do jeito que havia deixado, toalha dobrada, copo de escova, a caixa do teste ocupando um espaço pequeno demais para o tamanho do que representava. Ela se aproximou, apoiou as duas mãos na borda da pia, inclinou o corpo para frente e estudou o próprio reflexo por alguns segundos. Os olhos estavam mais escuros, as olheiras mais fundas, mas havia, por trás do cansaço, uma lucidez que não combinava com a menina que saíra do México anos antes. Ela tinha idade suficiente para saber que fugir não ia mudar o resulta
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