Camila sabia que alguma coisa estava errada com o próprio corpo, mas não estava pronta para dar nome àquilo, então fez o que sempre fez a vida inteira quando o medo começava a crescer demais: fingiu que não era com ela até o último segundo possível. Tomou banho de novo no fim da tarde, prendeu o cabelo em um coque improvisado, escolheu um vestido leve que não marcava tanto a cintura e passou um batom discreto, mais para se convencer de que tinha controle sobre alguma coisa do que por vaidade real. A náusea vinha em ondas leves, principalmente quando o estômago estava vazio, e ela decidiu que, se mantivesse água por perto e respirasse fundo, ninguém perceberia.
Rafael apareceu na porta do quarto alguns minutos antes do horário em que a governanta costumava anunciar o jantar. Não bateu alto, apenas encostou os dedos na madeira, abriu e entrou com a familiaridade de quem tinha aprendido o caminho de olhos fechados. Usava uma camisa escura, sem gravata, mangas dobradas até o antebraço, o