Camila não esperou que Nicolás saísse completamente do corredor para puxar o caderno de anotações que usava anos antes, quando ainda estudava fermentação experimental, e abrir na página onde havia registrado os poucos detalhes que Ingrid lhe contara sobre o passado — detalhes que, agora, pareciam migalhas deixadas de propósito. O quarto que dividia com as amostras e rascunhos estava silencioso, e a ausência de Rafael, que havia sido chamado por um funcionário para resolver uma situação na ala administrativa, criou a primeira oportunidade que ela tinha desde a revelação no laboratório para pensar sem o peso do corpo e da presença dele prendendo-a.
Ela folheou as páginas devagar, procurando algo que sempre ignorara. Ingrid sempre fora evasiva, sempre falara de si em frases incompletas, sempre desviara quando Camila perguntava por que mudaram tanto de cidade na infância ou por que nunca tinham documentos organizados como outras famílias. Na época, Camila acreditara que era desorganização