Camila passou o resto da tarde remoendo a conversa com Luna e a sensação incômoda de que havia algo muito mais profundo por trás do sumiço de Ingrid. A caixa de arquivos antigos permanecia no depósito, e, mesmo sabendo que Rafael apareceria a qualquer momento para buscá-la — como se ela fosse uma extensão natural dos instintos dele —, Camila voltou para lá sozinha.
A luz do depósito era fraca, mas suficiente para iluminar a poeira suspensa no ar e as marcas do tempo sobre as caixas. Camila ajoelhou-se diante da mesma pilha de documentos da manhã, abrindo pastas com cuidado, examinando nomes, assinaturas, datas e registros que, à primeira vista, pareciam irrelevantes. Porém, quanto mais lia, mais percebia um padrão estranho: funcionários com nomes falsos, admissões temporárias sem registro oficial, papéis duplicados com códigos internos idênticos.
Até que encontrou.
Uma pasta mais fina, com a borda desgastada e um carimbo quase ilegível de “Temporários – Acesso Restrito”. Camila abriu